Braziliaanse instelling om hulde te brengen aan Thatcher en Reagan, met steun van Bolsonaro

Conservadores no Brasil manifestaram aprovação depois que um dos institutos de pesquisa mais famosos do país anunciou planos de sediar uma semana de Margaret Thatcher e Ronald Reagan ainda este ano.

Mas os críticos veem o evento como mais uma tentativa do governo do presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro de impor influências conservadoras e cristãs nas principais instituições acadêmicas e culturais do país.

Em maio, a Fundação Casa Rui Barbosa – um centro de pesquisa que recebe financiamento do governo – sediará uma série de exposições e palestras sobre os ícones da direita nos anos 80.

Letícia Dornelles, ex-jornalista e escritora de novelas, escolhida para chefiar a fundação em outubro do ano passado, disse que os eventos “fornecerão uma visão geral” das “influências de Thatcher e Reagan sobre os atuais líderes mundiais conservadores”.

“Thatcher e Reagan são ídolos de muitos brasileiros e políticos atuais”, disse ela.

A iniciativa está em parceria com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, que girou para a direita sob Bolsonaro, formando laços estreitos com líderes conservadores como Donald Trump e Victor Orbán. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo – que acredita que as mudanças climáticas são uma conspiração marxista – participará.

A admiração por Thatcher e Reagan é profunda no governo Bolsonaro.

Margaret Thatcher na América do Sul: visitando tropas britânicas nas Ilhas Malvinas em 1983. Foto: Guardian

Em um discurso nos jardins da Casa Branca no ano passado, Bolsonaro citou Reagan e disse que era um “grande admirador” do ex-presidente.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, estudou os fundamentos do livre mercado na Chicago School of Economics – a fundação das políticas econômicas de Reagan e Thatcher – e trabalhou na Universidade do Chile durante a ditadura de Augusto Pinochet na década de 1980.

Em entrevista ao Financial Times do ano passado, ele descreveu as reformas neoliberais do Chile como “uma transformação maravilhosa” e acrescentou: “Thatcher, Reagan, eles entenderam isso”.

Enquanto isso, os filhos políticos de Bolsonaro foram fotografados com recordações de Thatcher e Reagan, como camisetas, canecas de café e figuras de modelos.

Charles Gomes, pesquisador jurídico e pesquisador sênior com foco em migração na Casa Rui Barbosa, colocou em dúvida o valor acadêmico da semana de Thatcher e Reagan.

“O evento não é baseado no trabalho acadêmico de ninguém, parece pura propaganda”, disse ele.

Críticos acusaram o governo Bolsonaro de “interferência ideológica” em vários setores – muitas vezes em detrimento – das artes e da educação à política externa e indígena.

O filho de Bolsonaro, Carlos, foi uma das primeiras figuras públicas a mostrar apoio à semana de Thatcher e Reagan, junto com a ex-jogadora de vôlei que virou ativista conservadora Ana Paula Henkel.

O ex-secretário de cultura Roberto Alvim também endossou publicamente o evento – antes de ser demitido no início deste mês, depois de parafrasear o ministro de propaganda nazista Joseph Goebbels.

Regina Duarte, atriz mais conhecida por seus papéis nas novelas brasileiras e por sua oposição ao partido de esquerda dos trabalhadores no Brasil, é sugerida a aquisição.

Bron: Voogd // Afbeelding credits: Dirck Halstead/The Life Images Collection/Getty

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